Saí de casa no Rio ás 10h da manhã no sabadó. Deu um certo saudade já passando na Vieira Souto em direção Lagoa – Tunel Rebouças – Galeão. Todo mundo indo pra praia pra aproveitar um dos dias mais lindos há semanas. Mais, tudo bem, estava indo para fazer uma temporada artistica no festival RIFF (Rajasthan International Folk Festival) em Jodhpur a convite do festival pelo segundo ano em seguido. Não tinha certeza do que eu ia fazer – se era pra fazer um live PA com uns músicos locais ou para fazer umas gravações com eles ou trabalhar com um DJ de Jaipur ou para fazer uma performance solo ou tudo isso.

Me preparei para tudo, passando uma boa parte dos voôs organizando meu set em Ableton, mas depois de 4 horas no aeroporto e pegando o voô para Mumbai, o cansaço me pegou. Tava feliz que eu conseguí um assento na janela com ninguem ao meu lado e dormí. Chegando em Mumbai ás 01:30 da manhã, tive mais 10 horas pra esperar o voô para Udaipur e, finalmente, Jodhpur. Deitei no chão do lado da tapete na area de reclamação de baggagem e dormí mais…até ligaram o tapete. levantando e subindo pro andar de embarque, sentí que eu finalmente tinha chegado na Índia.
Sentí um cheiro forte de paan, ví os coqueiros no meio do roundabout na entrada do terminal, e já filas e filas de pessoas esperando fazer o check-in. Baggagem despachado e já passado por segurança, dormí mais no slumber zone e, finalmente, peguei o voô para Jodhpur. A manhã já estava quente e uma nublinha de poluição ou fumaça ou sei lá obfuscou as cores. Subindo deu pra ver os silouetes das slums. Todos cercados de predios altos de luxo e normalmente um canal de esgoto ou o mar na beira do mangue.
Em Jodhpur, foi apanhado pela Sharon, que conheçi no ano anterior, o Shyam, um dos assistentes de produção e o Sujam, que seria o meu motorista (!) durante a semana. Me levaram pra comprar um chip GSM, tirar dinheiro e daí pro hotel. Dormí mais! De noite foi visitar o forte Merhangarh, onde o festival ia ser, e onde é o sede da produção, a cozinha, etc. Encontrei o Divya, o diretor do festival, e finalmente tivemos a conversa sobre o que a gente ia fazer.
Teria o Jason Singh, a banda dele (que ele tinha começado a montar nos anos anteriors), Darohar, uma banda de metais, Jaipur Kawa Brass Band e um jovem DJ de Paipur, Hada. Como não tem tanto tempo pra eu conhecer, compor e ensaiar com uns musicos locais, resolvemos fazer um set parcialmente feito de remixes e refixes de música rajasthani. Aí, acompanhado do DJ Hada (que fala inglês, hindi e maruadi (idioma local)), vou comprar discos música local nos mercados de jodhpur nos próximos dias. Tambem existe a possibilidade de colaborar como o Jason e fazer umas músicas com os outros musicos entre o set deles e meu e/ou na ultima noite no Rustle (jam session).