Dia 6 em Jodhpur/RIFF – o “Rustle,” despedida, viagem para Bombay


um dia lento….acordei tarde, mesmo que dormí pouco. fiz as ultimas preparações pro jam session, o “Rustle.” reuní com o Jason e o Rais (morchang, vocais) e tentamos umas batidas/melodias/ ideais que deixou tudo mundo mais tranquilo em termos de como seria o set. Conseguí dar um tempo não só pra ver o por do sol, mais tambem pra curtir o set da Rupa and the april fishes, que totalmente arrebentaram.

O “Rustle” deu muitissimo certo – Jason no beatbox e efeitos, eu nas batidas, Rupa e a banda dela – cello, baixo, batera, trompete, tabla, o guitarrista do Yuri Honing, os rajasthanis – kartal, baupang, dholak, morchang, parveen nas vocais e muito provavalmente tô esquecendo de umas pessoas… enfim, muita gente no palco, muita energia, tudo improvisado, casa cheia. foi demais, muito divertido.

hoje e dia de despedida, viagem de jodhpur para Bombay. Nem sei aonde eu vou lá….provavalmente vou pro bairro de Colaba, que é onde ficam os hoteis baratos (quer dizer backpacklândia). aí, tenho uns dias livres pra passeiar, relaxar antes do meu set no blue frog na quarta feira.  saíndo pro aeroporto…..

dia 5 em Jodhpur/RIFF – dia da nossa noite, “Rajasthani Night”

passei uma boa parte do dia tentando entender o que estava acontecendo com o meu controlador e como eu podia tocar com ele (a solução foi não tocar nos ultimos 3 faders – nem um pouco, se tocar, da um sinal de midi generalizada que muda todos os parametros numa vez só).  Aí, ainda tinha coisas pra fazer com o meu set – integrando as novas músicas nele e preparando sequencias interessantes especificamente para RIFF.

Mais uma vez, dei uma escapada pra ver o por do sol, que é lindo de cima no forte.

Rais Khan de Darohar (de Jason Singh) tocando morchang na passgem de som

Na passagem de som, arrumei uma mesa pra mim (sempre um desafio, tem que ser tipo 110 – 120cm de altura – aqui foi duas mesas uma em cima da outra) e organizamos como seria as transições entre os artistas.  Seria Hada abrindo, Jason Singh e Darhodar, Jaipur Kawa Brass Band e depois eu pra fechar a noite (tipo, 1h até as 2:30).  Pronto, fui jantar (ainda curtindo MUITO a comida vegetariana pros artistas), deitar um pouco em algum quarto do labirintho do forte.

o scenário do nosso palco - mehrangarh fort

Jason acabou abrindo a noite (o Hada deu uma sumida e não fez a passagem de som).  Morchang, karkal, dholak, baupang, harmonium, 3 cantores e o jason fazendo beatbox e efeitos com 2 kaos pads.  foi muito bem recebido – especialmente quando ele mandou um tech house trocando riffs com o morchang.  a Jaipur Kawa Brass Band, nem entrou no palco – foi diretamente pra pista e ficou circulando entre as pessoas.  Aí, entrei…..deu tudo certo.  comecei com uma sequencia de músicas indianas – dhin ka chika em versão rajasthani, umas bhangras e remixes de músicas de bollywood.  aí, mandei uma cumbia/bollywood mashup e as pessoas acompanharam.  daí, toquei de tudo.  Esse ano, teve poucas pessoas fazendo pedidos…só uma pessoas que entrou no palco e ficou empurrando o celular dela na minha frente.  Ainda lembro do ano passado quando uma pessoa chegou gritando algo pra mim e respondí que eu não podia conversar com ela por que eu estava concentrando.  ela falou que eu não precisava conversar, só escutar, e por favor, toca salsa!  haha  o controlador só se desligou 2 vezes durante meu set.  acho que eu conseguí fingir bem que não aconteceu nada….haha

acabei saindo de lá as 4:30 destruido de cansaço com um gripe querendo entrar.  fica meio dificil cuidar do corpo na pressão do trabalho…..

Dia 2 em Jodhpur/RIFF – Blue City, encontrando Jason Singh e DJ Hada

uma coisa que gosto muito depois de varios dias cansativos de viagem é dormir muito e acordar cedo no dia depois.  aproveitei que o meu quarto veio com colchonete de yoga (é aparentemente tem um canal na TV com yoga 24/7 – mais acabei só fazendo minha sessão diaria normal) e depois dei um mergulho na piscina e peguei um pouco de sol (tava muito quente, o ceu sem nenhuma nuvem).

Depois da viagem de meia hora com o Sujam, meu motorista que é fissurado em paan (e promete me levar pra conhecer não só o melhor paan em jodhpur, mas tambem a familia dele numa aldeia 25 km daqui) e pede pra eu roubar um jornal do hotel todo dia pra ele, cheguei no forte Merhangarh.  Logo entrando esbarrei com o DJ Hada, que ficou me esperando na entrada e tinha tanta coisa pra falar comigo que quase nem conseguí me apresentar pra ele (bom, já me conhecia).  Queria dizer que estava muito feliz em participar no festival e esta disposto a me ajudar em tudo e quer aprender tudo o possível comigo.  Puxa, legal, aluno/estagiario bem disposto!

encontramos com o Jason Singh, que me deu um abração (foi a primeira vez que conheçí ele).  No almoço conversamos sobre as poosibilidades da performance e resolvemos a “totally mash that shit up”  geral.  é, é isso mesmo.  Vai ser uma noite num palco dentro do forte (em vez de fazer no chokelao como ano passado) – Jason com a banda dele Darohar, depois entra a Jaipur Kawa Brass Band, depois todo mundo entra pra um jam session.  pensamos assim – eu fazendo bumbo e baixo e efeitos sonoros, jason na beatbox (o cara é WICKED), e os metais da Brass Band em cima.  Daí, segue pro meu set sozinho.  e depois um set do Hada e/ou Jason de drum n bass.

No meio do almoço, Hada pediu desculpas dizendo que ia voltar depois de 5 minutos.  Depois de 45 minutos, desistí e fui com o Jason aproveitar a tarde livre pra descer a pé no outro lado do forte, pra passear um pouco na cidade azul – a parte velha onde todo mundo pinta as casas de azul para mostrar que são do caste Brahmin.   e conversamos muito.  Já falando de fazer coisas com video ano que vem, fazer algo na inglaterra, e que tal no brasil?  Tomamos um suco de pomegranate (com é em português?), passamos delo mercado na praça principal da cidade (uma loja de chá me avise que, ” no hold ups, Tease Each other After drinking tea – algo como “não demora, xinga o outro depois de tomar chá.”  então, tá, né?).

Na volta pro forte a internet voltou a funcionar e fui resolver coisas com uma possível gig em Delhi, a falta de pagamento de uma gig na alemanha em julho(!), um problema com a alfandega brasileira enviando um equipamento pros EUA a ser consertado, um remix atrasado pra petrona martinez, outro remix atrasado para watcha clan, outras gigs na alemanha em novembro e varias outras coisas que pareciam surreais daqui…sei lá, qu fazem parte da minha vida.  a vida não para…

finalmente, no final da noite, voltei pro hotel e convencí os guardas a abrir o jardim/piscina pra eu ficar lá trabalhando no meu set.  era lua quase cheia.